No meio dos avondosos e espigosos campos da informação, estamos em contínua vigilância para descobrir MILHEIRICES, ou seja, ditos e feitos que resultam da conjugação de Petulâncias, Arrogâncias, Redundâncias, Vacilâncias, Ondulâncias, Implicâncias, Caganifâncias, Exorbitâncias e Sibilâncias – tudo substantivos aprovados pelos melhores filólogos –, e mais umas quantas ânsias e jactâncias, e que conduzem, inexoravelmente, a PARVOÍCES.

DO PEQUENINO TSUNAMI DE MARÇO

Um tsunami é um tsunami. E temos um tsunami pela frente. Portanto, não vale a pena estarmos a criar a ilusão às pessoas de que vamos passar este processo sem dor. Vai ter dor. E acho que esta é uma relação de franqueza que temos de ter todos uns com os outros. (…) Até agora não faltou nada no SNS e não é previsível que venha a faltar.

António Costa, primeiro-ministro, TVI (23/03/2020)

DA ESPERA CONFINADA

Até haver uma vacina, não vamos retomar a vida normal. Mesmo sem estado de emergência, não vamos poder viver como antes. 

António Costa, primeiro-ministro (20/04/2020)

DA FISGA AO FIASCO

Se tudo se concretizar, será seguramente uma bazuca [os fundos europeus para responder à crise]. Já sabemos que não será uma fisga. Agora estamos a discutir se é uma pressão de ar ou uma bazuca.

António Costa, primeiro-ministro (23/04/2020)

DO MONTE DE PÁGINAS INÚTEIS

Eu também sou jurista e sei a capacidade enorme que os juristas têm de inventar problemas. Felizmente, a realidade da vida é muitíssimo mais prática. (…) Aquilo que nós sabemos é que é nosso dever ter estas normas de afastamento uns dos outros, usar as máscaras quando estamos em proximidade, porque isso é um risco, diga a Constituição o que diga, haja ou não haja estado de emergência.

António Costa, primeiro-ministro (27/04/2020)

DAS TONTAS VOLTAS

É muito difícil fazer previsões quando o mundo mudou em 360 graus em dois meses.

António Costa, primeiro-ministro, RTP (30/04/2020)

DO VAIVÉM

Com a mesma convicção com que pedi que ficassem em casa, o apelo que eu agora faço é que, com segurança, com cautelas, retomem o processo de ocupação da rua, de regresso à rua, de regresso às lojas, de regresso à restauração, de regresso aos cafés, porque é assim que, colectivamente, vamos poder relançar outra vez a nossa vida no país. 

António Costa, primeiro-ministro (16/05/2020)

DO PRÉMIO PELA ROBUSTEZ

[A escolha da UEFA para a realização da fase final da Champions em Lisboa é um prémio] à forma como Portugal conseguiu controlar esta pandemia. É também um prémio merecido aos profissionais de saúde e à forma como provaram que o nosso Serviço Nacional de Saúde é robusto para responder a qualquer eventualidade.

António Costa, primeiro-ministro (17/06/2020)

DA MÚSICA DE VIOLINO

Há uma coisa que sabemos: não podemos voltar a repetir o confinamento que tivemos de impor durante o período do estado de emergência e nas semanas seguintes, porque a sociedade, as famílias e as pessoas não suportarão passar de novo pelo mesmo.

António Costa, primeiro-ministro (15/07/2020)

DO GRAVADOR INDISCRETO

O presidente da ARS mandou para lá [lar em Reguengos de Monsaraz, com surto de covid] os médicos fazer o que lhes competia; e os gajos, cobardes, não fizeram.

António Costa, primeiro-ministro, em off, Expresso (22/08/2020)

DO COMBOIO QUE VEIO EM JANEIRO

Há agora uma luz ao fundo do túnel, mas o túnel é ainda muito comprido e bastante penoso. Portugal irá adquirir 22 milhões de vacinas, mas essa quantidade de vacinas não chega automaticamente no primeiro dia. Vão chegando escalonadamente e gradualmente ao longo de todo o ano de 2021.

António Costa, primeiro-ministro (03/12/2020)

DO CHUMBO DO DOUTOR COSTA

Há uma enorme diferença entre uma vacina e um antibiótico. É que a vacina é para nós ficarmos imunes aos vírus. Os antibióticos é para combater os vírus. 

António Costa, primeiro-ministro, SIC (28/06/2020)

DO ZOOM

É fácil ficar no nosso consultório e passar o dia a falar por videoconferência para as televisões.

António Costa, primeiro-ministro (19/08/2020)

DO CÔNSUL ROMANO

Odeio ser autoritário, eu não quero ser autoritário, mas temos de controlar esta pandemia.

António Costa, primeiro-ministro (15/10/2020)

DO CHURCHILL ÀS VOLTAS NA TUMBA

Vai ser difícil, é seguramente incerto, mas apesar de tudo, podemos hoje corrigir um pouco os tempos verbais da forma como Winston Churchill se podia referir em Novembro de 1942, e poder hoje dizer que a vacina não é seguramente, não será ainda o fim desta pandemia, mas pode até não ser sequer o princípio do seu fim, mas que é seguramente já o fim do princípio desta crise pandémica.

António Costa, primeiro-ministro, SIC (23/11/2020)

DAS TRAIÇOEIRAS PALAVRAS

Devemos evitar reunir o menor número de pessoas possível, devemos procurar evitar estar à mesa o tempo estritamente necessário, devemos procurar evitar espaços fechados, pouco arejados e estar o máximo de tempo possível com máscara.

António Costa, primeiro-ministro (17/12/2020)

DAS ESCOLAS QUE DÃO APENAS UM EMPURRÃOZINHO

Quero, aliás, dizer aqui com toda a clareza: o encerramento das escolas não se deve ao facto das escolas serem locais de contaminação, mas pelo contrário. Deve-se ao facto da escola ser um local de contacto, ser um local que favorece, naturalmente, a contaminação.

António Costa, primeiro-ministro (21/01/2021)

Todas as declarações transcritas foram confirmadas, em notícias da imprensa escrita, e/ou declarações gravadas na imprensa audiovisual.

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