No meio dos avondosos e espigosos campos da informação, estamos em contínua vigilância para descobrir MILHEIRICES, ou seja, ditos e feitos que resultam da conjugação de Petulâncias, Arrogâncias, Redundâncias, Vacilâncias, Ondulâncias, Implicâncias, Caganifâncias, Exorbitâncias e Sibilâncias – tudo substantivos aprovados pelos melhores filólogos –, e mais umas quantas ânsias e jactâncias, e que conduzem, inexoravelmente, a PARVOÍCES.

DO SONHO DO MERCEEIRO

Acho que [a pandemia iniciada na China] até pode ter consequências bastante positivas. Ainda assim, não tenho dados que me permitam fazer uma avaliação. Atendendo a que é um mercado emergente, em crescimento explosivo, temos de preparar-nos para corresponder à nossa ambição que é reforçar as nossas vendas e equilibrarmos a nossa balança comercial.

Maria do Céu Albuquerque, ministra da Agricultura (05/02/2020)

DOS OLHOS EM BICO

Olhe, mas consegue arranjar explicação porque só afecta os chineses? (…) Estavam lá muitos estrangeiros que não apanharam. Ou os que apanharam tratam-se facilmente. Só morrem os chineses. 

Cristina Ferreira, apresentadora de televisão em conversa com um médico, SIC (18/02/2020)

DA PÓLVORA SECA

Temos artilharia preparada para mitigar danos do coronavírus.

Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, Público (05/03/2020)

DO UNANIMISMO PATRIÓTICO

Em minha opinião, essa [a opção pela crítica ao Governo] não é, neste momento, uma postura eticamente correta. E não é, acima de tudo, uma posição patriótica.

Rui Rio, deputado e líder do PSD (15/04/2020)

DO VÍRUS BONZINHO MAS QUE CAUSA AFONIA

A gripe espanhola era um vírus muito mais perigoso, mas viajava de barco — demorou muito mais tempo a transmitir-se. Agora, um vírus viaja mais depressa, está em todo o lado. (…) Este é um vírus relativamente bonzinho.

Maria Manuel Mota, directora do Instituto de Medicina Molecular, Expresso (18-04-2020)

DA CALCULADORA DOS ZEROS

“[Estamos a falar de] doze zeros [para o plano de recuperação europeu]. As nossas calculadoras dos telemóveis não dão para introduzir esses números. Só calculadoras científicas conseguem lidar com doze zeros.

Mário Centeno, ministro das Finanças, Público (21/04/2020)

DOS MASCARISTAS ABRILADOS

Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril? Eu diria até, enfim, um pouco a brincar, embora o momento não seja para grandes brincadeiras, que houve muita gente mascarada de abrilista durante estes anos todos e que agora deitou as garras de fora.

Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, TSF (22/04/2020)

DAS COMPLEXAS OPÇÕES 

Pode-se pescar, não se pode caçar, pode-se cortar o cabelo às 10 horas, não se pode cortar às 8 horas. Pode-se apanhar sol se se estiver deitado num parque, não se pode apanhar sol na praia. Pode-se apanhar uma onda com prancha de surf, mas se não tiver prancha de surf, não se pode apanhar essa onda. Os últimos dias têm trazido sinais muito preocupantes. Não há bom senso nem clareza naquilo que é transmitido aos portugueses.

João Cotrim de Figueiredo, deputado e líder da Iniciativa Liberal (14/05/2020)

DO VÍRUS QUE FOI DEPOIS CHAMAR O PAI

Daqui a uma semana, os portugueses comemorarão o Dia de Portugal. Tal como noutros períodos da nossa longa história, há fortes motivos de orgulho para os portugueses. Não foi sorte. O vírus teve, diria, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um Governo capaz.

Joana Sá Pereira, deputada do PS (03/06/2020)

DO QI DO VÍRUS

Qual será o critério para o Governo permitir ajuntamentos? Funerais, futebol, missas, discotecas, desporto em geral, não! Comícios e manifestações de esquerda, sim! Esperemos que o vírus entenda aquilo que mais ninguém consegue entender. 

Rui Rio, deputado e líder do PSD (08/06/2020)

DO ALÍVIO POR NÃO SER MACROSCÓPICO

A grande conclusão é a de enorme fragilidade do nosso mundo, das nossas sociedades, do planeta. Trata-se de um vírus microscópico e esse vírus pôs-nos de joelhos. 

António Guterres, secretário-geral da ONU, RTP (08-06-2020)

DO LIBIDINOSO CHERNE

O fundo de recuperação [da União Europeia para responder à pandemia] é mais do que uma pipa de massa. É uma orgia financeira.

Durão Barroso, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia, Observador (06/08/2020)

DO ISSO AGORA É TUDO UMA GRIPEZINHA

Infelizmente, e eu percebo porque isto é a notícia do dia, nós perdemos todos os dias, horas e litros de tinta a escrever sobre covid. No entanto, esquecemo-nos que no nosso país até agora já morreram cerca de 12 mil pessoas com doenças cardiovasculares, 11 mil pessoas com AVC e não sei quantos milhares com cancro.

Fátima Pinto, directora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Lusa (21/11/2020)

DOS ABUTRES

Uma das principais propostas que estamos a trabalhar e a avançar neste período da pandemia é precisamente aproveitar a oportunidade que nos é dada pela dificuldade, que é o facto de os alojamentos locais não terem hoje clientes em número significativo, para alugarmos, arrendarmos esses alojamentos, para depois os podermos subarrendar a famílias das classes médias e aos jovens.

Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Lusa (16/07/2020)

DA SEDE CULTURAL

Vamos beber o drink de fim de tarde.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, escusando-se a responder a perguntas sobre o efeito da pandemia no sector (28/07/2020)

DO ESOTERISMO COMO ARTE POLÍTICA

A minha preocupação não tem sido apurar as responsabilidades dos surtos. O meu objetivo no acompanhamento dos surtos não tem sido a responsabilização. De facto, não tem sido. Tem sido criar instrumentos de reforço para apoio às instituições e acompanhá-las. 

Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Expresso (15/08/2020)

DO CONTROLO DESCONTROLADO

[A pandemia em Portugal] não está fora de controlo. Se estivesse fora de controlo não teríamos condições para atender as pessoas nos hospitais, não teríamos condições para fazer uma parte dos inquéritos epidemiológicos – aí é que há um ponto crítico onde é preciso atuar.

Correia de Campos, médico e ex-ministro da Saúde do PS, Diário de Notícias (17/01/2021)

DA EUFORIAS NAS FILAS

Eu vejo aqui um entusiasmo semelhante à alegria do voto nas primeiras eleições democráticas

Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, TVI 24 (17/01/2021)

DOS LOUCOS ANOS 20

[Depois da pandemia] acredito que haverá muitas festas, divertimento e loucura como já vimos em cenários pós-guerra.

Vânia Beliz, sexóloga, Correio da Manhã (06/02/2021)

DO MATA-MOSCA QUE SÓ SABE USAR BAZUCAS 

Num pequeno incêndio, como tem a probabilidade de se transformar num grande incêndio, nós devemos atacar logo com o Canadair, ou seja, com o meio mais pesado. E deixar os outros meios para depois fazer o rescaldo (…). O fechar das escolas foi o ‘Canadair’ para conseguir controlar os ‘incêndios’, e agora está-se a fazer o ‘rescaldo’, obviamente nas várias frentes da pandemia.

Carlos Antunes, professor universitário, RTP (05/02/2021)

DO OPTIMISMO DO LANTERNA VERMELHA

Fomos dos melhores do mundo no primeiro confinamento, os piores na origem da terceira vaga e vamos ser um dos países do mundo que mais depressa conseguiu controlar a terceira vaga porque de facto houve uma adesão fantástica ao confinamento e o resultado está à vista.

Pedro Simas, virologista, Jornal de Notícias (07/02/2021)

DO COME A MÁSCARA, JOANA, COME A MÁSCARA!

Quem não é capaz de andar de máscara durante um ano da sua vida (pedem-nos tão pouco), ou de restringir a sua liberdade de movimentos durante esse período, em nome da eliminação da pandemia, ainda não chegou à idade adulta. Pelo que deve ser tratado, paternalisticamente, como uma criança;

Gabriel Leite Mota, economista, Público (14/02/2021)

DA DEMOCRACIA SEGUNDO O CEGO QUE VALE ZERO

O nosso povo, este povo mostrou nesta pandemia um enorme sentido democrático: abdicou de direitos, abdicou de liberdades, abdicou de coisas que dava por garantidas em nome de um bem comum, e não protestou. Não veio para a rua fazer manifestações.

Miguel Guedes, vocalista dos Blind Zero, jurista e comentador de futebol, TVi24 (02/03/2021)

Todas as declarações transcritas foram confirmadas, em notícias da imprensa escrita, e/ou declarações gravadas na imprensa audiovisual.

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