No meio dos avondosos e espigosos campos da informação, estamos em contínua vigilância para descobrir MILHEIRICES, ou seja, ditos e feitos que resultam da conjugação de Petulâncias, Arrogâncias, Redundâncias, Vacilâncias, Ondulâncias, Implicâncias, Caganifâncias, Exorbitâncias e Sibilâncias – tudo substantivos aprovados pelos melhores filólogos –, e mais umas quantas ânsias e jactâncias, e que conduzem, inexoravelmente, a PARVOÍCES.

DO SER TUDO, PORTANTO, UM BOCADINHO EXCESSIVO

Não, não temos que estar alarmados. Portanto, a Natureza é assim, aparecem novos vírus, é preciso é estarmos atentos. Portanto, o que aconteceu foi numa cidade chinesa um surto, portanto, 59 casos de pessoas com pneumonia, e essas pessoas tinham uma ligação a um mercado de uma determinada cidade, e, portanto, quando se investigou, descobriu-se que era um novo vírus, um coronavírus. Esses vírus, coronavírus, são de variadas famílias, alguns circulam entre nós, em Portugal, todas as épocas, agora no Inverno; outros, um novo deu origem aquilo que se chamou SARS ou pneumonia atípica em 2003, que muitas pessoas se lembrarão. Esse sim era bastante preocupante porque se transmitia facilmente de uma pessoa para outra pessoa; não é o caso deste novo coronavírus. E agora existe um novo também, no Médio Oriente, que se transmite essencialmente de animais, como os camelos, por exemplo, para as pessoas. Portanto, há muitos coronavírus, a gravidade deles depende muito, e este concreto, que foi identificado na China, já se sabe o genoma deste vírus, está circunscrito à cidade chinesa onde ocorreu; há uma fraquíssima possibilidade de ele se transmitir de uma pessoa para outra, mas isso é apenas uma fraquíssima possibilidade; e portanto, a propagação, a eventual propagação não é uma hipótese neste momento a ser equacionada. E um dos indicadores que nos deixa tranquilos em relação à provável contaminação pessoa-a-pessoa, contagiosidade pessoa-a-pessoa, é que os profissionais de saúde que trataram estes doentes em internamento, mesmo sem saberem o que é que eles tinham, se era um vírus novo ou não, e que, portanto, estão em contacto muito intenso e directo com estes doentes, até à data nenhum profissional de saúde adoeceu. Ao contrário da pneumonia atípica ou SARS de 2003 em que, de facto, os profissionais de saúde foram muito abrangidos pela doença, morreram muito, porque estavam de facto em contacto com doentes. Não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal. Mesmo na China o surto foi contido, porque o mercado foi encerrado. Portanto, era necessário que alguma pessoa estivesse nessa cidade, nesses mercados, e que entretanto tivesse vindo para Portugal. Portanto, a probabilidade é muito pequena. (…) Portanto, tudo indica que o surto está controlado.  Portanto, neste momento não há nenhum motivo para alarme, nenhum motivo sequer para alerta. (…) [A possibilidade de “contágio em massa” feita pela OMS é um termo] um bocadinho excessivo. Obviamente há sempre esse potencial na Natureza. Uma pandemia de gripe é quando um vírus da gripe sofre uma mutação tão grande que se torna muito mais contagioso e atinge todo o Mundo. Quando foi a SARS, se não tivessem sido tomadas medidas drásticas naquela altura, teria havido. Neste caso parece um bocadinho excessivo porque não há, de facto, evidência de transmissão fácil entre pessoas. E, portanto, para haver essa massificação de uma doença é preciso que, por contacto, como o que nós estamos a ter aqui, ou por via aérea, um vírus ou uma bactéria, mas neste caso um vírus, se dissemine facilmente entre a população humana. Não é o caso. De qualquer maneira, obviamente os hospitais em todo o Mundo devem ter o nível de preparação para quando houver emergência de um vírus destes, este ou de outro qualquer, actuarem rapidamente: os hospitais, os centros de saúde, as autoridades de saúde, as autoridades veterinárias, portanto, há uma rede que deve estar sempre preparada, em prontidão, para o que a Natureza nos reservar. 

Graça Freitas, directora-geral da Saúde (15/01/2020)

DA GULA

É uma coisa que me perguntam muito: devemos pôr comida em casa ou não? (…) Não devemos chegar a este ponto. Quanto mais não seja, que se recorra à horta do amigo. Não açambarquem!

Graça Freitas, directora-geral da Saúde (10/03/2020)

DA FALTA DE SEGURANÇA Á SEGURANÇA MÁXIMA

Não use máscara, é uma falsa sensação de segurança. [E as máscaras de tecido] nem sequer são impermeáveis. [O essencial da protecção é] o distanciamento social.

Graça Freitas, directora-geral da Saúde (22/03/2020)

DO TEMPO EM QUE AS MÁSCARAS NÃO FALAVAM

Estamos aqui a trabalhar sem máscaras e estamos distantes uns dos outros. Isso é que é fundamental. Não estamos a respirar ou a espirrar para cima de outras pessoas, o mais importante é treinar o gesto e reduzir ao mínimo o contacto das mãos com a cara. (…) Não se recomenda a utilização de máscara para proteção individual por pessoas sem sintomas. (…) A utilização correcta de máscaras é somente recomendada para pessoas doentes, suspeitos de infeção por covid-19 e profissionais que prestem cuidados a doentes suspeitos de infeção.

 Graça Freitas, directora-geral da Saúde (22/03/2020)

DA CONTRAPRODUCENTE PROTECÇÃO

[O uso indevido de material de proteção] pode ser contraproducente e dar até uma falsa sensação de segurança.

Graça Freitas, directora-geral da Saúde (05/04/2020)

DO VAI CORRER TUDO BEM

Ninguém [aqui] está de máscara, porque conseguimos manter o distanciamento social, temos as mãos lavadas, temos solução alcoólica e temos as superfícies desinfetadas. (…) É o que se vai passar na Assembleia da República, é um edifício grande. Estarão garantidas todas as condições para as pessoas estarem em distanciamento social. (…) Existe um plano de contingência excelente.

Graça Freitas, directora-geral da Saúde (23/04/2020)

DO ABISMADO ABISMO

Nenhuma de nós fala de como se pilota um avião, mas toda a gente sabe como é que se trata a pandemia. (…) Fico abismada como é que se diz que é a DGS que não comunicou bem, porque a DGS é apenas um dos elementos desta interacção de mensagens que são multivariadas.

Graça Freitas, directora-geral da Saúde, Público (13/11/2020)

DO SER PORTUGUÊS, LOGO PATRIÓTICO

É altura de deixarmos de pôr o país nas bocas do mundo, dizendo que a informação não é boa. Isso até nem é patriótico. Na defesa do nosso país temos de lutar por aquilo que é nosso, e estamos a informar bem.

Graça Freitas, directora-geral da Saúde (30/09/2020)

Todas as declarações transcritas foram confirmadas, em notícias da imprensa escrita, e/ou declarações gravadas na imprensa audiovisual.

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