No meio dos avondosos e espigosos campos da informação, estamos em contínua vigilância para descobrir MILHEIRICES, ou seja, ditos e feitos que resultam da conjugação de Petulâncias, Arrogâncias, Redundâncias, Vacilâncias, Ondulâncias, Implicâncias, Caganifâncias, Exorbitâncias e Sibilâncias – tudo substantivos aprovados pelos melhores filólogos –, e mais umas quantas ânsias e jactâncias, e que conduzem, inexoravelmente, a PARVOÍCES.

DA TRANQUILIDADE

Tudo indica que o CoronaVírus, vai chegar a Portugal, por isso mentalizem-se e tranquilizem-se em relação a esse facto.  Não é o fim do mundo. Por isso tentem passar rapidamente da fase da emoção à fase da razão. (…) Assumam que o CoronaVírus vai chegar e tranquilizem-se. Não é a primeira nem a última pandemia das nossas vidas. Agreguem informação fidedigna, tomem as devidas precauções, mas não se esqueçam que o pânico pode matar mais que a própria doença. Felizmente pouco.

Gustavo Carona, médico (26/02/2020)

DO MEDO DE VIVER

Cada vez me sinto mais triste e surpreendido com a evolução desta doença. Nunca pensei que o mundo estivesse tão doente. (…) O entusiasmo de dar notícias, de querer notícias, transforma um pedaço de rigorosamente nada no que quisermos ver. Cancelam-se viagens, fecham-se escolas, mandam-se as pessoas embora das empresas, perdem-se empregos, inibimo-nos a existir em grupo e deixamos de viver, para salvar a nossa vida.  Que não pareça que estou a dizer que não é nada. Ou que é para fingir que não existe. Nada disso! É para ter cuidado, mas continuar a viver. É um vírus altamente contagioso, mas que a poucos causa doença, e aos poucos que causa doença nas piores das análises 2 a 3% vão morrer. Vai causar uma pressão enormíssima nos serviços de saúde, nomeadamente nos cuidados intensivos, onde eu trabalho. É para estar atento, mas continuar a viver. (…) Estão com medo de quê? Só pode ser medo de viver.

Gustavo Carona, médico (07/03/2020)

DOS BONS NEGÓCIOS

As farmácias tinham o dever de NÃO vender máscaras ao desbarato, sem antes informar de quem são os que precisam, mas vai se lá saber quem é que pára um bom negócio, assim como os hospitais privados que alimentam os pânicos por encomenda, ao cobrar 200 euros para salvar a loucura dos que não têm indicação para fazer o exame.

Gustavo Carona, médico (07/03/2020)

DO AFASTA DE MIM ESSE CÁLICE, PAI

Custa mais estar em casa, do que estar a trabalhar. Eu dei negativo. Foi das esperas mais dolorosas da minha vida. Nunca fiquei tão contente por poder trabalhar.

Gustavo Carona, médico, Público (28/03/2020)

DO CINÉFILO EMPOLGADO

Há muito que acredito que a coragem não é a ausência do medo. A coragem é o que sobra quando a motivação ultrapassa o medo. Porque medo temos todos. Mas o que eu tenho visto à minha volta é uma motivação que me emociona. Vejo os fracos a fazerem-se fortes, vejo os fortes a transformarem-se em super-heróis. Mães de família a fazerem do Rambo um bebé chorão. Vejo gente com uma garra e com uma fibra, que me faz agradecer ao mundo por partilhar o ar que respiram. Vejo uma união, uma coesão que parece um muro de escudos dos Vikings.

Gustavo Carona, médico, Público (28/03/2020)

DO MANIQUEÍSMO DE PACOTILHA

Os mais informados estão nos hospitais com os doentes e os mais desocupados têm tempo para conspirar.

Gustavo Carona, médico, Público (02/11/2020)

DA BONITEZA DA FÉ

Ser humanitário, ser humanista é pensar no bem comum, é ter a coragem de assumir comportamentos que a mim também me deixam triste, mas vivo a pensar que a minha vida não vale mais do que as outras. E não sendo eu um crente na divindade de Jesus Cristo, diria que a celebração da sua vida não deveria ter sido marcada pelo egoísmo dos que se sentem mais sábios que a ciência, porque se houve mensagem que eu retive da sua passagem por esta vida, foi a empatia, a compaixão, a projecção do outro em mim. E não há nada mais bonito do que isso.

Gustavo Carona, médico, 02/01/2021

DO DESEJO DE CENSURA

“(…) Afinal, não há ninguém negacionista. Ninguém nega a existência do vírus. O que é perigoso é a relativização. Os relativistas. Dizer que isto não é assim tão grave, que já houve anos piores, que isto é como a gripe, todo este tipo de frases são perigosíssimas. E nós temos de as retirar da circulação pública”.

Gustavo Carona, médico, RTP 02/02/2021

Todas as declarações transcritas foram confirmadas, em notícias da imprensa escrita, e/ou declarações gravadas na imprensa audiovisual.

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