Chama-se a atenção que os óbitos-covid registados pela DGS em 14 de Fevereiro foram anormalmente baixos, apresentando uma taxa de diária de mortalidade de apenas 1.86%, uma queda abruta de 0,99 pontos percentuais em relação ao dia anterior, o que representa uma descida de 35%. A taxa diária registada é o valor mais baixo desde 28 de Outubro. Embora existisse uma tendência de decréscimo nas últimas duas semanas, o valor de 14 de Fevereiro mostra-se um autêntico outlier. Nesta linha, as previsões para os próximos dias têm um grau de incerteza muito grande.

Assim, para o dia 15 de Fevereiro prevê-se a ocorrência entre 90 óbitos (modelo da taxa diária de mortalidade) e 150 óbitos (modelo da linha de tendência polinomial). Mostra-se mais provável que o valor esteja mais próximo do modelo da taxa diária de mortalidade. Se o valor ficar muito acima dos 90 óbitos, ultrapassando os 100, então confirmar-se-á que o número de óbitos de 14 de Fevereiro foi um outlier.

Caso a mortalidade se situe abaixo dos 121, significa que o SNS se encontra, finalmente, com um desempenho melhor do que o registado em Dezembro e Novembro do ano passado, o que acaba por confirmar a ruptura em Janeiro, quando a taxa diária de mortalidade dos internados (média móvel de 7 dias) chegou aos 4,5%..

Nota metodológica: 

Para a previsão dos óbitos por covid para o dia N, utilizam-se dois modelos expeditos: 

  1. taxa diária de mortalidade dos internamentos, calculada em função dos óbitos no dia N em relação aos internados do dia N-1. Apresenta-se, igualmente, o gráfico da evolução desta taxa de mortalidade com base na média de 7 dias das taxas diárias.
  2. linha de tendência polinomial (grau 2) entre o número de internamentos covid e os óbitos por covid, estimando-se a mortalidade prevista para o dia N através da equação de regressão, tendo em consideração o número de internados no dia N.

Previsões da responsabilidade de Pedro Almeida Vieira.

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