Tiago Franco | Engenheiro de Software (Volvo Cars, Suécia)

Agora que caminhamos, a passos lentos, para o fim da clausura e das restrições que criaram mais uns milhares de pobres, entramos na fase do debate. O que aí vem. Como apoiar quem perdeu tudo.

E esperamos que o Estado, a mesma máquina burocrática que nos trouxe aqui, e que se baseou em previsões uma e outra vez falhadas, nos ajude a sair do marasmo.

Todos deveremos conhecer por esta altura pessoas em dificuldades. Pessoas que já não podem esperar pelo debate, pelas novas medidas, pelas decisões parlamentares ou pelos apoios que não chegam. Desde que escrevi a história da minha amiga “Joana”, há cerca de um mês, pouco ou nada mudou. (vd. aqui: https://www.facebook.com/tiago.franco.735/posts/10159061944877836)

A comida do Banco Alimentar escasseia, as contas acumulam-se, e a água, o gás e a luz estão a dias de serem cortados. Mesmo depois das partilhas do último texto, continuou sem conseguir arranjar um emprego, nem que fosse a limpar sanitas. E continuou sem querer aceitar dinheiro que não fosse a troco de trabalho.

Até que Joana resolveu desistir. Deixar de lutar. E entregar-se ao destino, esperando que a filha se consiga safar neste mundo onde ela já não tem esperança de conseguir resolver os problemas. Foi até um pontão na marginal e pensou terminar o sofrimento ali. Chorou, berrou, partiu coisas. E voltou para casa por não ter coragem de abandonar a filha.

Perguntei-lhe quanto totalizavam as contas em atraso. Cerca de 900 euros, disse-me. Alguém que se tenta matar por não conseguir pagar contas no valor de um iPhone. É este o estado a que chegámos. Foi esta falta de esperança que o encerramento do país trouxe a alguns. Pensem no trabalhador da TAP que não aguentou. Pensem em tantos outros que nunca ouviram falar.

Disse-lhe que tudo se resolveria e que, de uma forma ou de outra, não podia perder a esperança e, acima de tudo, não deixar a filha, que já não tem propriamente um pai em quem se apoiar.

Tudo isto me choca, me entristece e me deixa com uma angústia tremenda. E por isso acho que é altura de pedir ajuda, a quem a puder dar, porque a vergonha não pode impedir o auxílio a um semelhante. Não poderei ajudar todos, mas poderei pelo menos chegar à “Joana”.

Tentei fazer a minha parte para restabelecer o oxigénio para os próximos dias, mas será manifestamente insuficiente. Assim, peco a quem possa, a quem não tiver perdido rendimentos, se tiver alguma possibilidade de auxiliar, que o faça através da conta:

 PT50 0269 0118 00201044326 61 (Bankinter)

Esta conta é minha. Eu tratarei de enviar o dinheiro posteriormente para a “Joana”.

Nunca fiz um pedido de ajuda público na vida, e nem me sinto confortável ao fazer. Primeiro, porque vivemos tempos em que há um enorme aproveitamento da desgraça alheia, e raramente sabemos se as ajudas chegam a quem de direito. Eu pelo menos sou sempre céptico. Mas sinto que se chegou ao fim da linha, e dou a cara por algo em que acredito, para ajudar uma amiga, e para tentar evitar desgraças maiores.

Quem me conhece dos tempos da Margem Sul, conheceu a “Joana” na mesmíssima altura do que eu. Vivemos todos no mesmo bairro da Amora. Para esses não preciso de explicar quem sou.

Quem me conheceu nos tempos dos Açores, sabe de quem sou filho, e o que faço na vida. Julgo que acreditarão sem grandes explicações que não peço nada para mim.

Quem foi meu colega na universidade em Lisboa, ou nos tempos da Autoeuropa, também saberá, deduzo, com alguma segurança, quem sou.

A comunidade portuguesa em Gotemburgo também saberá, ao fim de 15 anos, quem sou, onde estou e o que faço.

Os restantes, a maioria do que estão a ler isto, só me conhecem do que vou escrevendo por aqui, e não terei outra credibilidade senão a das minhas palavras. Deixo obviamente ao vosso critério acreditarem na honestidade dessas palavras. 

O meu obrigado a quem puder ajudar, seja com o que for.

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