Pedro Almeida Vieira | Cidadão 

Pedro Almeida Vieira

Dies Solis

02/05/2021

DO VIVER NO PRESENTE E DO VIVER NOS PRETÉRITO PERFEITO / A língua portuguesa é muito traiçoeira. Olhando os gráficos, pode-se concluir que “VIVEMOS NUMA PANDEMIA”. No entanto, muito pensam que o “vivemos” refere-se à primeira pessoa do plural do presente; e eu penso que se refere ao pretérito perfeito. 

Ou seja, a pandemia FOI. 

NÃO É.

O resto é brincar ao medo, independentemente da probabilidade que possa existir de um novo ressurgimento, de um novo vírus, de um terramoto, de um meteorito, etc… A solução nunca pode ser viver-se em perpétuo medo, mas ser sim racional e saber viver em função do risco, acompanhando e monitorizando, mas sem tolher a vida. De contrário, isto não é viver; é sobreviver.

Neste momento (dados de 29 de Abril), estamos com níveis de internamento-covid de apenas 7% dos internamentos-covid registados em 15 de Fevereiro. Nos casos positivos estamos com uma descida de 80%, o que significa que a infecção se mostra menos grave (menos internados por casos positivos), o que indicia também que os casos positivos estão a incidir sobretudo em população jovem e de muito menor risco de desenvolver doença grave.

Muito curioso, porém, é a subida (isto é muito curioso mesmo) dos casos de infecções respiratórias registadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). A gripe mantém-se praticamente desaparecida, mas as outras infecções “reaparecem” numa altura do ano em que deveriam estar a reduzir-se. Embora em níveis ainda baixos, as infecções respiratórias reportadas pelo SNS mais do que duplicaram desde 15 de Fevereiro, e estão mesmo quase a ultrapassar os casos positivos de covid… Mas, como se sabe, isto não está nada ligado, não é? É tudo um acaso…

Dies Lunae

03/05/2021

DAS MILAGROSAS VACINAS… OU DOS OUTROS “MILAGRES” / Tenho necessariamente que reafirmar que sou extremamente favorável às vacinas e aos planos de vacinação que sempre foram gizados para serem eficazes e eficientes. Eficazes no sentido de cumprirem o seu objectivo; eficientes no sentido de cumprirem esse objectivo com o menor custo e os menores riscos, porque os recursos (humanos e financeiros) são limitados.

Ora, aquilo que se tem assistido com a vacinação da covid-19 é algo que foge à lógica da Ciência: atribui-se, de imediato, resultados milagrosos à vacinação sem sequer dar hipóteses de questionar e de analisar. Quase que se decretou uma fatwa a quem não dar loas e não fizer ditirambos às sacrossantas vacinas, únicas e exclusivas responsáveis pela redução dos casos e das mortes por um vírus de transmissão respiratórias, e que, como todos os vírus, tem uma actividade muito associado às condições climatéricas e meteorológicas, e aos padrões de comportamento das distintas sociedades. Em muitos casos, essas relações não são ainda bem conhecidas (e.g., não se sabe bem as razões de tipos de gripe surgirem e desaparecem, para regressarem anos mais tarde).

Isto a pretexto de uma breve análise que fiz para os diversos países europeus (com informação disponível no Our World in Data) com base na percentagem de população vacinada em 1 de Abril, 15 de Abril e 30 de Abril, que confrontei com a variação da mortalidade por covid-19 entre a primeira semana de Abril e a segunda semana de Abril. Cada bolinha vermelha e branca representa os valores à data nos diversos países.

Dados a reter a partir da situação de vacinação no dia 1 de Abril, 15 de Abril e 30 de Abril:

1 – Quase todos os países tiveram reduções na mortalidade entre a primeira e a segunda quinzena de Abril.

2 – Os quatro países mais avançados na vacinação (Malta, Reino Unido, Hungria e Sérvia) registaram reduções na mortalidade. No entanto, convém referir que a Hungria tem ainda uma mortalidade relativa bastante elevada (201 óbitos diários em média para uma população 9,8 milhões). Este país tinha 31,3% da população com pelo menos uma dose em 1 de Abril e 61,8% em 30 de Abril.

3 – Dos 8 países que em 1 de Abril tinham menos de 10% da população com pelo menos uma dose (Ucrânia, Macedónia do Norte, Moldávia, Montenegro, Bulgária, Rússia, Letónia e Albânia), apenas a Rússia registou um ligeiro crescimento (3,2%) na mortalidade entre a primeira e a segunda quinzena de Março. Nos outros sete países com reduções da ordem dos 40% ou ainda maiores (Moldávia, Montenegro, Bulgária e Albânia).

4 – No grupo que integra sobretudo os países da UE (com níveis de vacinação relativamente similares ao longo do mês de Abril, por via de terem sido realizadas compras conjuntas), observam-se situações muito distintas. Neste caso, a análise deve ser feita com algum cuidado, porquanto há casos de variação relativa positiva que representa um crescimento absoluto pequeno (e.g. Noruega), além de existirem situações de manutenção de mortalidade elevada mesmo se com alguma redução (e.g., Polónia).

5 – Note-se o caso particular da Alemanha que registou um acréscimo de 11% na mortalidade-covid entre a primeira e a segunda quinzena de Abril (206 vs. 228), sabendo-se que a vacinação abrangia 17% da população em 1 de Abril, 25% em 15 de Abril e 35% em 30 de Abril.

Evidência por agora: sendo certo a existência de uma clara tendência decrescente da mortalidade em Abril no continente europeu, não se pode inferir que seja a vacinação a responsável. Considerar que são as vacinas é, à actual luz da Ciência, uma questão de Fé. Ora, nessa medida, eu até tenho também Fé que as vacinas sejam seguras e milagrosas, e eliminem o SARS-CoV-2 da face da Terra. Mas a Fé vale aquilo que vale; e em Ciência vale nada.

DO MUNDO NOVO DA VACINA SEM CHIP MAS DO CARTÃO PSEUDO-IMUNOLÓGICO… COM CHIP / Aquilo que se está a passar na Hungria – que não é propriamente um modelo de direitos humanos – mostra como estamos a guindar por caminhos perigosos.

Para quem não sabe, a Hungria é o país mundial que, actualmente, apresenta maiores valores de mortalidade atribuída à covid-19. Neste momento tem 2.895 óbitos por milhão de habitantes. A doença praticamente só apareceu em Outubro, e a chamada “primeira vaga” na Primavera do ano passado não teve qualquer expressão no Leste da Europa.

O mais curioso da evolução da mortalidade total (todas as causas) é que só a partir da semana 9 de 2021 (Março deste ano) existe uma clara subida face aos anos anteriores, muito em contraciclo com o que se passou, por exemplo, em Portugal.

Entretanto, a Hungria é, neste momento, o terceiro país com maior taxa de vacinação contra a covid-19, com 61,8% da população já com uma dose, apenas atrás do Reino Unido é Malta. Apesar disso, continua com mortalidade elevadíssima (172 óbitos diários por 10 milhões de habitantes), enquanto Portugal está praticamente sem mortalidade com cerca de metade da população vacinada (cerca de 33% com pelo menos uma dose). Tudo um pouco estranho.

Bom, mas a questão essencial é que os 61,8% dos húngaros já vacinados – e deduzo que vão caminhar para os 100% – têm agora a possibilidade entrar em refeitórios internos, hotéis, teatros, cinemas, spas, academias, bibliotecas, museus e outros locais recreativos. Com um cartãozinho. Os estabelecimentos comerciais que deixarem entrar pessoas sem cartão de imunidade receberão pesadas multas.

Ah, o cartão tem um chip. A vacina, obviamente, não tem.

Estão a imaginar a base de dados extraordinária que o Governo de Viktor Órban vai ter para saber ao pormenor ínfimo quem está aonde e por onde cirandou… E isto a bem da saúde, claro! E depois digam que não avisei.

Dies Martis

04/05/2021

DA “VIDA” E DA “MORTE” DOS VÍRUS / RIP influenza…

(e não há meio de ressuscitar)

DA MATEMÁTICA PARA JORNALISTAS TOTÓS / Em finais de Janeiro, Portugal chegou a ter quase 182 mil casos activos (positivos assintomáticos, com sintomas leves e infectados hospitalizados). Agora tem apenas um pouco mais de 23 mil casos activos, dos quais cerca de 1,2% estão hospitalizados.

A Índia tem 1,33 mil milhões de habitantes. 

Portanto, contas feitas, em Janeiro Portugal chegou a ter o equivalente a 24 milhões de infectados na Índia. E Portugal tem agora, em que já nada se passa, o equivalente a mais de 3 milhões de casos activos na Índia. 

No entanto, neste momento, a “Índia tem 3,4 milhões de pessoas infectadas” e é garantidamente uma CATÁSTROFE. Dizem-me também que se registaram anteontem 3.417 óbitos na Índia, ou seja, o equivalente a 25 óbitos em Portugal… Em Janeiro andámos várias semanas acima dos 200 óbitos atribuídos à covid e com um pico nos 303. Ontem tivemos quatro mortes por covid, o que é muito menos do que matava a pneumonia por esta altura do ano antes da pandemia. Ah, 4 mortes em Portugal equivalem a 532 mortes na Índia.

Mas que interessa isto a um jornalismo acéfalo?

DA TASCA E DA FOICE / Só num país como Portugal se cria uma “task force” para controlar um surto epidémico numa região onde não morre nenhuma pessoa por esta doença desde 3 de Março. 

Só num país como Portugal jornalistas-pé-de-microfone se sujeitam a acompanhar ministros a passearem-se num falso circo mediático onde o problema nunca foi a covid-19 mas sim as condições laborais deploráveis que o Estado nunca quis controlar. 

Só num país como Portugal se poderia aceitar que um Governo, que nunca quis fazer requisição civil de hospitais privados para tratar doentes, andasse depois em derivas de autoritarismo a querer requisitar compulsivamente habitações privadas para alojar casos suspeitos de infectados.

Este país parece, de facto, saído de uma noite de tasca. A foice aparece aqui porque me parece adequada: serve para ceifar ervas daninhas.

Dies Mercurii

05/05/2021

DO BRASIL (E DE PORTUGAL) – UMA ANÁLISE (QUE OBVIAMENTE NÃO SE VÊ NOS JORNAIS) / 

Vale bem a pena analisar com detalhe a variação da mortalidade TOTAL do Brasil e seus Estados – e fazer uma comparação com Portugal –, utilizando um timeline mais longa do que a pandemia (desde 2018), e tendo como referência (base 100) o mês menos mortífero do período (Janeiro de 2018 a Abril de 2021). No caso do Brasil, a referência é Fevereiro de 2018; no caso português é Setembro de 2018 (o que se compreende uma certa sazonalidade da mortalidade). Significa assim que os valores acima de 100 representam um acréscimo de mortalidade que, atenção, pode dever-se a questões de sazonalidade ou de envelhecimento da população, Poderia ter feito um timeline mais longo, mas esta análise serve apenas para ter uma percepção sobre a realidade. Isto, na verdade, daria pano para uma tese. Fica para outros. Adiante.

Observando a situação brasileira desde o início da pandemia, os meses de Março e Abril deste ano foram francamente mortíferos, embora o pico de Janeiro último em Portugal (em relação à base 100) tenha ainda sido mais assustador. Tanto no período da pandemia como no período Janeiro de 2018 a Abril de 2021, a mortalidade no Brasil mostra um padrão mais grave, embora não de forma particularmente significativa. Lembrem-se que a esperança média de vida de um brasileiro é cerca de 7 anos inferior à de um português, e a taxa de mortalidade infantil no Brasil é ainda três vezes superior à de Portugal. Este enquadramento – melhor condições de saúde – devem ser consideradas numa comparação.

Aliás, na verdade, não faz qualquer sentido olhar globalmente o Brasil, porque estamos a falar de um País-Continente, com realidades socioeconómicas tão distintas. 

Poderia aqui estar a fazer uma dissertação sobre esta matéria, mas deixo por agora uma comparação análoga entre o Estado do Pará (bem mais grave do que Amazonas, de Manaus) e o Estado do Rio de Janeiro. Notem as colossais diferenças, mesmo se a situação do Rio de Janeiro não é famosa (embora muito similar á portuguesa, se bem com “ondas” distintas).

Voltarei ainda ao tema, por certo…

Dies Jovis

06/05/2021

DA REQUISIÇÃO CIVIL PARA SABOREAR O AUTORITARISMO DE GENTE SEM AUTORIDADE / No ano passado, em Abril, 165 refugiados de um hostel da Rua Morais Soares em Lisboa foram recambiados para a Base Militar da Ota. Sem contemplações.

Pergunta: porque não se requisitou então a casa do António Costa? Ou a do Eduardo Cabrita? Ou a minha ? Ou a vossa, se forem alfacinhas? Ou a sede do PS ao Largo do Rato? 

O Governo já se borrifa para mostrar e ver reconhecida a sua autoridade. Opta pelo autoritarismo. Fim de ciclo? Ou início de uma ditadura travestida de democracia?

DAS VACINAS E DOS CONFLITOS DE INTERESSE / Eu desejo muito que as vacinas contra a covid-19 sejam seguras e eficazes. Mesmo muito. Mas também desejava ver mais estudos, e mais estudos independentes, sobre a eficácia das vacinas. 

A questão nem é constatar que 8 dos 14 autores do artigo científico sobre o sucesso do programa de vacinação em Israel – agora bastante propalado na imprensa mundial – são investigadores da própria empresa (Pfizer).

O problema, a meu ver, é esses investigadores deterem acções (stock) e opções de compra de acções (stock options) da Pfizer. Ou seja, o sucesso da vacina da Pfizer dá-lhes imediatamente vantagens financeiras. O insucesso acarreta perdas financeiras. 

Por isso, além de desejar muito o sucesso da vacina, também tenho outro desejo: não ver investigadores de farmacêuticas a brincar à Wall Street.

Uma imagem com texto

Descrição gerada automaticamente
Uma imagem com texto

Descrição gerada automaticamente

DOS NÚMEROS AO SABOR DAS CONVENIÊNCIAS / Tenho assumido sempre, desde sempre, os valores oficiais da covid-19 como válidos. Como os únicos válidos para as minhas análises. Mesmo se não concordo com a metodologia, que determina que basta que a morte esteja associada a um caso positivo por covid-19 para que seja esta a causa atribuída. Mesmo sabendo que há imensos casos de vítimas de covid-19 que tinham 10 ou mais comorbilidades, quase se podendo dizer que a doença menos grave que tinham antes do falecimento era a covid-19. Mesmo se não existe uma estatística validada pelo Sistema de Informação dos Certificados de Óbito (SICO) e pela Autoridade Estatística Nacional do INE que confirme a existência de todos os óbitos por esta doença. 

Sou de opinião de que, para o bom e para o mal, são os dados oficiais que valem, até poderem ser desmentidos com provas cabais. De contrário, andaria aqui a especular sobre se tinham morrido só mil pessoas ou afinal 30 mil. Era o vale-tudo.

Mas eis que agora vejo pessoas, que se têm por doutas, a achar que “observadores independentes” garantem, e estão certos, que os dados da Índia estão subestimados, e lançam valores ao calhas, de serem 5 ou 10 vezes mais do que o indicado… 

É neste vale-tudo que vivemos agora. Se os valores não são demasiado assustadores – e sobretudo quando se lembra a situação deplorável de saúde anterior deste país de 1,33 mil milhões de habitantes (3 vezes mais população do que toda a União Europeia) e 27 mil mortes diárias por todas as causas – os defensores da tal subestação ainda nos acusam de negacionistas. 

O bloqueio cerebral causado pela pandemia vai dar para muita tese de doutoramento…

Dies Saturni

07/05/2021

DA DÚVIDA CIENTÍFICA SOBRE A VERDADEIRA CAUSA / Desde que o Governo entrou em força para controlar o “pesadelo da covid” na “vila-fantasma” de Odemira, criando uma task force e impondo requisição civil de propriedade privada, nem mais uma pessoa morreu naquele concelho alentejano.

Desde que o Governou tomou essa decisão, eu tenho feito benzeduras às 15 horas 49 minutos e 23 segundos durante 13 segundos, e a fazer o pino.

Gostaria assim que os académicos realizassem um estudo comparativo para apurar a verdadeira causa associada ao milagre de Odemira. Acho sinceramente que a acção do Governo e a minha acção devem ser colocadas como hipóteses plausíveis. Ah, já não morre ninguém de covid-19 em Odemira desde 3 de Março, há mais de 2 meses?! OK! Concedo então que as minhas benzeduras tenham similar efeito ao da implementação da task force do Governo.

Apoie o Farol XXI