Pedro Almeida Vieira | Engenheiro Biofísico e Economista

Pedro Almeida Vieira

Muito resumido, porque poderemos ter mais episódios, deixo-vos, e com extensa prova documental (vd. links em baixo), um caso exemplar de promiscuidade entre o Polígrafo – um verificado de fact-checking – e negócios privados dos seus mentores:

1 – O Polígrafo tem, como Responsável Editorial inscrito na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o senhor Ricardo Coelho Martins da Fonseca, antigo jornalista da Visão (vd. link em baixo). Apesar disso, não consta da ficha técnica do Polígrafo, onde pontifica Fernando Esteves como director. Ambos foram jornalistas da Visão.

2 – O senhor Ricardo Fonseca é também sócio da empresa Conta-me Histórias, Lda. que detém a marca B. creative media, cujo site revela uma vasta carteira de clientes, onde pontifica o Grupo José de Mello, Novo Banco, NOS e diversos órgãos de comunicação social. O outro sócio da Conta-me Histórias é João Paulo Vieira, outro antigo jornalista da Visão.

3 – Segundo informação no site do Polígrafo, neste momento são accionistas da Inevitável e Fundamental Lda. (sua proprietária), a Emerald (40%) – uma holding de capitais de um empresário angolano – e a Episódio Inédito (exclusivamente detida por Fernando Esteves). A Conta-me Histórias terá sido accionista, mas não consta já no site como accionista no presente (falarei desta estrutura em breve…)

4 – Apesar disso, o Polígrafo e a Conta-me Histórias, Lda. partilham a mesma sede, o que facilita assim a vida ao Responsável Editoral do Polígrafo, Ricardo Fonseca, quando precisa de tratar de assuntos da Conta-me Histórias. O director do Polígrafo, Fernando Esteves, poderá também dar dicas à Conta-me Histórias sem sair do lugar.

5 – Essa partilha deu, muito recentemente, bons frutos à Conta-me Histórias, que assinou um contrato com a Direcção-Geral da Educação para fornecer um jogo pedagógico digital denominado “Verdade ou Mentira”, que curiosamente… adivinharam… consiste num “jogo de quis [sic] focado no tema da desinformação”, ou seja, o “core business” do Polígrafo.

6 – Lendo o contrato, ao preço de 20.300 euros, é-se tentado a acreditar, pela data da adjudicação (4 de Dezembro de 2020), que o jogo, a integrar num site, estaria quase pronto, porquanto se estabelecia, no nº 2 da Cláusula 4º, que “o jogo deverá ser disponibilizado à Direção de Serviços de Projectos Educativos (…) no prazo de 15 dias após a adjudicação”, Ou seja, deveria ser entregue, contas feitas, até 19 de Dezembro.

7 – Porém, para um contrato sobre um jogo denominado “Verdade ou Mentira”, convenhamos que os outorgantes assinaram um contrato forjado, cheio de MENTIRAS.

8 – Com efeito, apesar das cláusulas referentes a prazo de execução, obrigações contratuais e outras que tais, o jogo já estava feito, entregue e… mesmo apresentado publicamente. Mais de duas semanas antes da assinatura do contrato, no dia 13 de Novembro de 2020 realizou-se uma pomposa sessão (vd. aqui: https://www.dge.mec.pt/…/combate-desinformacao…) de lançamento do site com o jogo pedagógico “Verdade ou Mentira”, que contou mesmo com a presença de João Costa, secretário de Estado Adjunto e da Educação, e de Nuno Artur Silva, secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. E quem esteve a apresentar o jogo foi, obviamente, o senhor Ricardo Fonseca. Note-se também que o autor dos conteúdos foi o jornalista (CP 2673 A) Paulo Pena, o que pode configurar uma incompatibilidade grave (vd. Ficha Técnica do jogo).

9 – DEPOIS DISTO TUDO, AINDA QUEREM SABER MAIS SOBRE OS ESGUIOS MEANDROS DO POLÍGRAFO?

Adenda – Mui oportunamente o registo do Polígrafo na ERC referido em 1 foi alterado esta manhã, depois da publicação deste post, sendo apagado o nome do senhor Ricardo Fonseca, Tenta-se assim esquecer o passado, mas não se apaga a História. A ERC mostrou-se muito lesta em apagar o registo mas nada lesta em verificar que, durante mais de 2 anos, o Polígrafo teve um Responsável Editorial que não tinha carteira profissional e que era sócio de uma agência de comunicação. O registo original, em printescreen, com o nome do senhor Ricardo Fonseca mantém-se na imagem em anexo. Aliás, em breve falarei da estrutura accionista do Polígrafo, onde consta também a envolvência bastante activa do outro sócio da Conta-me Histórias.

Links essenciais:

1 – Registo (já alterado) da ERC com a referência ao Polígrafo ter como responsável editorial o senhor Ricardo Coelho Martins da Fonseca: https://portaltransparencia.erc.pt/ocs/pol%C3%ADgrafo/…

2 – Contacto do Polígrafo: https://poligrafo.sapo.pt/institucional/artigos/contactos

3 – Accionistas do Polígrafo: https://poligrafo.sapo.pt/o-n…/artigos/onossofinanciamento

4 – Site da b. creative media, marca da Conta-me Histórias Lda.: http://www.bcreativemedia.pt/movies/index.php/pt_pt/equipa/

5 – Link do contrato assinado em 4 de Dezembro de 2020 entre a Direcção-Geral da Educação e a Conta-me Histórias, Lda, tendo como um dos segundos outorgantes o senhor Ricardo Fonseca, também Responsável Editorial do Polígrafo, com referência á sede da empresa: http://www.base.gov.pt/base2/rest/documentos/921629

6 – Link do jogo disponibilizado em 13 de Novembro de 2020, mas com contrato de adjudicação de 4 de Dezembro de 2020: https://verdadeoumentira.dge.mec.pt/

7 – Ficha técnica do jogo “Verdade ou Mentira?”: https://verdadeoumentira.dge.mec.pt/pt/enquadramento

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