Saiba qual o risco de vida em função do sexo e da idade caso decida não tomar a vacina contra a covid-19.

Pedro Almeida Vieira | Economista e Engenheiro Biofísico, com formação em Epidemiologia

A covid-19 é uma doença causada pelo vírus SARS-CoV-2 que, em determinadas circunstâncias – dependendo da idade, das comorbilidades e da capacidade de atendimento dos serviços de saúde – pode causar a morte.

Contudo, apesar de ser uma ideia enraizada – sobretudo por falta de transparência do Governo, e da comunicação social tradicional se ter demitido do seu papel de informação –, a mortalidade atribuída à covid-19 varia de forma muito significativa ao longo da idade.

Numa altura em que o Governo e muitas entidades, como a Ordem dos Médicos, tomam atitudes de coação directa ou indirecta para a vacinação (quase) universal, não fornecendo qualquer informação válida para um consentimento informado, tomei a decisão de revelar alguma informação, devidamente enquadrada, obtida através da base de dados não-pública do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE). Entre a informação aí disponível, consegue-se saber, de entre mais de 830 mil registos, a idade e sexo de cada pessoa com caso positivo, bem como o desfecho (morte ou não). O período da análise situa-se entre início de Março de 2020 e meados de Abril de 2021.

Deste modo, cruzando com a estimativa da população do INE (com referência a 2019), pode ser calculada, desagregada por ano de idade (e não apenas agregada, como faz a DGS), a incidência cumulativa, a taxa de letalidade e a taxa de mortalidade.

Note-se que a taxa de mortalidade atribuída à covid-19, por idade e sexo, pode ser vista como um risco de morte (por esta e apenas esta doença), que é condicionada ao risco de se ter sido infectado ou tido teste positivo (incidência cumulativa) e, estando infectado ter tido um desfecho fatal (taxa de letalidade). Se multiplicarmos a incidência cumulativa com a taxa de letalidade obtemos o risco de morte (ou a taxa de mortalidade para o período).

Deste modo, o impacte da pandemia não depende apenas da taxa de letalidade (que é muito superior nos idosos), mas também da maior ou menor eficácia das medidas não-farmacológicas. Embora não possa, por agora, revelar dados em concretos – sê-lo-ão em momento oportuno, embora a DGS tenha a obrigação moral dessa divulgação –, posso adiantar que a incidência cumulativa foi muito mais elevada no grupo etário acima dos 90 anos do que, por exemplo, no grupo dos jovens adultos ou mesmo do grupo dos reformados entre os 66 e 80 anos. Tendo em conta que nessas idades a taxa de letalidade é efectivamente muitíssimo superior, os efeitos aí foram muito significativos. Ao invés, nas populações idosas, a maior ou menor incidência cumulativa mostrou-se irrelevante, uma vez que a taxa de letalidade nestes casos é nula ou próxima de zero. 

Numa tentativa de mostrar de uma forma didática como o risco de morte por covid-19 é muito distinta – e auxiliar uma tomada de decisão informada quando surgir a oportunidade das populações mais jovens serem vacinadas – fiz o seguinte exercício: 

  1. considerei como idade de referência os 65 anos – tanto para o caso das mulheres como dos homens.
  2. para essa idade de 65 anos assumi que se registavam 10 óbitos atribuídas à covid-19
  3. calculei, em seguida, as mortes que ocorrem (ocorreram) para todas as outras idades – desde os 0 anos até às pessoas de 100 ou mais anos – sempre que se observavam 10 mortes em mulheres e em homens com 65 anos.

Mais do que revelar o exacto risco de morte em cada idade e para cada sexo – que, infelizmente, por agora, não estou autorizado a revelar –, nestes cálculos pode ter-se uma medida exacta da proporção de risco por idade. Ou seja, se por exemplo, se o risco de morte por covid-19 nas mulheres com 30 anos face às de 65 anos é de 0,3/10, significa assim que as mulheres de 65 anos têm uma probabilidade de morte 333 vezes superior à de uma mulher de 30 anos de idade. Por outro lado, se o risco de morte por covid-19 nas mulheres de 85 anos face às de 65 anos é de 125/10, significa que as mulheres de 85 anos têm uma probabilidade de morte 12,5 vezes superior às de 65 anos. Nessa linha, o risco de morte por covid-19 de uma mulher de 85 anos é cerca de 417 vezes superior (125/0,3) à de uma mulher com 30 anos.

Esta informação é relevante para um consentimento informado, e que deveria ser transmitida para a tomada de decisão, sobretudo na população mais jovem no âmbito do programa de vacinação.

Note-se que essa análise para as mulheres não pode ser cruzada de forma directa para os homens, uma vez que no ano de referência (65 anos), o risco de morte para os homens é superior ao das mulheres, sendo de 0,07% para as mulheres e de 0,15% para os homens. Faço notar que as taxas de letalidade nos homens são, por norma, quase sempre o dobro (ou mesmo mais) das taxas de letalidade nas mulheres.

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