Pedro Almeida Vieira | Economista e Engenheiro Biofisico

Pedro Almeida Vieira

Nos últimos meses a estrutura societária da empresa detentora do Polígrafo – a Inevitável e Fundamental Lda. – sofreu uma profunda alteração, que será abordada no capítulo de amanhã. Por agora, intessa sim salientar que a gerência é agora única: em vez de três gerentes – como na anterior estrutura –, a empresa proprietária do Polígrafo é agora gerida apenas por Raul Bragança Neto.

Ora, e que interessa isso? Aparentemente, nada, Ninguém sabe quem é Raúl Bragança Neto. E nem eu sabia. Por isso mesmo, fui investigar! E depois vi que interessa muito.

Além de ser homónimo – presumo familiar, talvez filho – de um já falecido antigo primeiro-ministro de São Tomé, Raúl Bragança Neto acumula a gerência da dona do Polígrafo com a direcção executiva da Forbes Portugal, recém-adquirida pela Emerald Group, detida pelo empresário são-tomense N’Gunu Tiny, que tem fortes ligações a Angola (calma!, falarei disso amanhã).

Além de comungarem a nacionalidade, o nosso Raúl Bragança Neto, de 40 anos, tem estado nos últimos anos onde está N’Gunu Tiny, tanto agora na Emerald Group como no Banco Postal (de Angola) em anos anteriores. Até aí nada de mal. A confiança constrói-se.

Contudo, sucede que o gerente da mais conhecida plataforma de verificação de factos em Portugal – e que acumula com a de director executivo da Forbes portugal – tem um percurso académico, enfim, muito sui generis, mesmo a necessitar de ser “checkado”.

Consultando o seu perfil do LinkedIn (vd. aqui: https://www.linkedin.com/…/ra%C3%BAl-bragan%C3%A7a…/), Bragança Neto destaca inicialmente uma licenciatura em Engenharia Electrotécnica na Universidade de Louisiana (Lafayette) entre 1999 e 2001. O curso, porém, tem quatro anos (vd. aqui: https://ee.louisiana.edu/electrical-engineering-4-year…/98). Ou seja, Raúl Bragança Neto não terá terminado este curso.

Estranhamente, apesar desse suposto curso, Bragança Neto terá decidido também ter uma licenciatura em Engenharia de Telecomunicações e Informatática no ISCTE, que diz ter frequentado entre 2003 e 2008, enquanto trabalhava num call center na NOS.

Neste caso, numa pesquisa na Internet consegue-se confirmar que, efectivamente, esteve ele inscrito naquele curso, com o número 23706, mas ignora-se se o terminou. Certo é que, em todo o caso, não terá sido aluno brilhante, porque em algumas pautas (que se apanham pela Internet) observam-se rotundos chumbos, como no primeiro semestre do ano lectivo de 2007/2008 (último que diz ter frequentado) em Sistemas de Telecomunicações Guiados em que teve um comprometedor 4,7/20 (http://cadeiras.iscte-iul.pt/…/Notas_teste_2007_2008.pdf).

Se recuperou e concluiu essa licenciatura, isso será trabalho para Fernando Esteves e o seu Polígrafo investigarem. E nessa investigação, já agora, podem também juntar sim o estranho mestrado que Raúl Bragança Neto diz, no LinkedIn, ter realizado também no ISCTE entre 2008 e 2010. Refere mesmo o título da tese: “Integration of MIH services in the IMS architecture”. Sucede, porém, que, neste caso, basta consultar o Registo Nacional de Teses e Dissertações (RENATES) para confirmar que não existe qualquer tese no mestrado indicado, nem se encontra referência em outros locais (e.g. Repositório do ISCTE), feito ou em curso pelo nosso gerente do Polígrafo (vd. imagem em baixo e consulte aqui: https://renates2.dgeec.mec.pt/). Ou seja, Raúl Bragança Neto não tem mestrado algum. E licenciatura, saberá Deus.

Portanto, temos então no Polígrafo um gerente que apresenta qualificações que não tem. Em suma, confirma-se que o Polígrafo é casa de ferreiro com espeto de pau. Aliás, na verdade, acho que se se investigar bem o Polígrafo ainda concluíremos que o ferreiro afina é marceneiro, e afinal tem um espeto de plástico.

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