Pedro Almeida Vieira | Economista e Engenheiro Biofisico

Pedro Almeida Vieira

Se anteontem mostrei estupefacção por a Emerald Europe – a empresa de N’Gunu Tiny que domina, por via de um gerente único, o Polígrafo – ter a sua sede na Avenida da Liberdade conjuntamente com a mais, pelo menos, 30 outras empresas, que posso dizer então da Emerald Company (UK) Limited, em Londes?

Esta subsidiária da Emerald Group, sediada no Dubai, tem “escritórios” na muito nobre londrina Argyll Street, no terceiro andar da Palladium House. “Escritórios” surge aqui entre aspas porque, na verdade, comunga a sede com mais 1.430 outras empresas, de acordo com os registos do site Endole (vd. aqui). Aquilo deve ser um rebuliço diário para separar correio por tantas empresas.

Nesta mesma “sede”, N’Gunu Tiny teve outra empresa: a Banko Financial Group Limited, que foi dissolvida em 6 de Abril deste ano. Tinha “nascido” em 26 de Setembro de 2019. Nem dois anos teve de vida.

A Emerald Company UK tem vida mais longa: existe desde 2013, mas, em abono da verdade, encontra-se em falência técnica. Formalmente com apenas dois funcionários – o próprio N’Gunu Tiny e Raúl Bragança Neto (actual gerente único da empresa detentora do Polígrafo) –, esta empresa está actualmente com prejuízos acumulados de 209 mil libras, tendo um capital social de apenas 10 mil libras. Pior: nos últimos anos tem sido evidente a redução dos seus activos tangíveis: em 2015 eram de cerca de 149 mil libras; em 2020 reduzem-se a apenas 277 libras, o que revela que a empresa está a ser “esvaziada”. Vai ser dissolvida quase na certa, muito em breve.

Recorde-se que N’Gunu Tiny tem sido associado não apenas à família de José Eduardo dos Santos – aliás, comprou a Isabel dos Santos a licença da Forbes Portugal e PALOP – como também a Manuel Vicente (ex-CEO da Sonangol e vice-presidente de Angola no período 2012-2017).

Entre Setembro de 2006 e Março de 2018, N’Gunu Tiny ocupou o cargo de Chaiman e CEO do Banco Postal de Angola, que viria a ser encerrado por ordem do Banco de Angola no início de 2019. Essa instituição teria como accionista Eduane Danilo Santos, filho do ex-presidente angolano (vd. aqui). N’Gunu Tiny foi também consultor jurídico da Sonangol e colaborou também para o Banco Privado Atlântico, tendo sido testemunha no julgamento da Operação Fizz, mas fechando-se em “copas” (vd. aqui), que veio a culminar na condenação (em primeira instância) do ex-procurador Orlando Figueira a seis anos e oito meses de prisão efectiva.

Saliente-se também que N’Gunu Tiny teve também uma efémera empresa – mais uma – denominada E&D Capital Partners Limited -, entre Maio de 2013 e Outubro de 2015, de intermediação financeira. O seu sócio foi o português Pedro Pinto Ferreira, considerado testa-de-ferro de Manuel Vicente (vd. aqui e imagem em baixo).

Recorde-se também que a Carta Portuguesa de Direitos Humanos na Era Digital (Lei nº 27/2021), no seu nº 6 do artigo 6º, estipula que “o Estado apoia a criação de estruturas de verificação de factos por órgãos de comunicação social devidamente registados e incentiva a atribuição de selos de qualidade por entidades fidedignas dotadas do estatuto de utilidade pública.” O Polígrafo será, sem dúvida, quem está a aguçar o dente para ser uma das entidades com “selo de qualidade”…

Nota: Será, por certo, um mero acaso que o advogado em Portugal de Isabel dos Santos – e já agora também de Lalanda de Castro –, de seu nome Paulo Saragoça da Matta (vd aqui), tenha publicado um inopinado ensaio e um artigo de opinião no Polígrafo, algo que é raríssimo de se ver nesta plataforma de fact-checking (vd. aqui e aqui). É um acaso. E o mundo está cheio de acasos.

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