Elisabete Tavares | Jornalista e membro da Plataforma Cívica – Cidadania XXI

Esta semana tinha a intenção de fazer uma pausa. Mas os acontecimentos em marcha devem deixar-nos a todos preocupados, como portugueses e europeus. O tempo urge na defesa da democracia e dos direitos civis e todos temos de ter noção disso.

Vejo cada vez mais discursos e opiniões radicais e fundamentalistas em diversos media. Posições extremistas e até discursos de ódio. A fazer lembrar outras épocas e outros tempos que pensávamos que não se repetiriam.

Vejo intenções declaradas de alterar a legislação para fixar a ditadura no papel e na lei. Isto depois de já termos em vigor em Portugal a lei da censura e o regime do apartheid. Vejo partidos portugueses – incluindo o PSD – a movimentarem-se para alterar a lei de forma impensável e inadmissível.

Vejo notícias sobre medidas novas em preparação em Portugal e outros países europeus. Dirão que é por causa de um vírus. Lembro que em outros tempos de ditadura e opressão os governantes também tinham as suas justificações e argumentos para instalarem regimes totalitários e perseguir cidadãos e opositores. E conseguiram até o apoio e a colaboração de boa parte da população para instalarem os seus regimes. Como hoje.

Este verão, ou os cidadãos europeus falam e adotam uma posição clara e firme em defesa da democracia e dos direitos fundamentais dos cidadãos ou correm sérios riscos de viver em ditadura por anos ou mesmo décadas. Tenham eles decidido tomar a vacina ou não, tenham eles adquirido imunidade natural ou não. Sejam eles de esquerda ou de direita. Cristãos, muçulmanos, etc. Sejam eles ricos, da classe média ou pobres.

Gerir uma crise – seja ela de saúde, económica ou outra – tem obrigatoriamente de envolver o respeito pelos cidadãos e a manutenção da democracia. Ponto final.Nenhum governante pode, agora ou no futuro, voltar a ter os poderes que foram conferidos pelos cidadãos a ditadores de forma permissiva. E corremos esse risco hoje, de novo. A decisão sobre como vamos viver, em que tipo de sociedade queremos viver, é nossa. O momento para falar é agora.

Não podemos permitir que regimes totalitários tomem o controlo da nossa sociedade e se tornem a norma na Europa.

Cabe a todos insistir no debate e defender os direitos humanos e os valores democráticos.

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