Pedro Almeida Vieira | Cidadão 

Pedro Almeida Vieira

O Governo tudo está a fazer para vacinar em massa a população portuguesa, sabe Deus – e talvez os bancos da Suíça – a razão. Nessa senda tudo tem valido, desde a deriva de autoritarismo até à chantagem sobre pais e jovens adultos. O caminho parece ser a ostracização de quem não segue a vontade do Governo – e isto parece ser apenas o início.

No último ano, a C19 veio trazer um paradoxo às sociedades. Embora todos saibamos a nossa natureza mortal, de repente olhou-se para uma e apenas uma doença como a única aparemente letal. Ignorou-se tudo o resto, e larjas franjas da população continuam fixadas na C19, Governo e comunicação sopcial incluídos. Isto quando estamos a finalizar o quinto mês com mortalidade total abaixo da média pré-C19.

Enfim, esqueceram-se muitos (ou a larga maioria) que viver foi, é e será um constante risco, mesmo quando as probabilidades de um desfecho fatal são baixas. E, nesta linha, deve saber-se que a solução para reduzir um determinado risco nem sempre é a melhor num contexto “global” de risco, porque a alternativa focada na redução de um só risco pode aumentar consideravelmente um desfecho fatal porque os outros riscos agravaram-se. Exemplo claro mostra-se no caso das viagens de avião: quem quiser reduzir para zero a probabilidade de morte por acidente aéreo, bem pode passar a optar por andar sempre de carro, comboio ou barco. Sucede, contudo, que estas alterantivas acabam por aumentar o risco de morte. A alternativa será nunca viajar, mas aí, mesmo que se aumente a esperança média de vida, há de se morrer estúpido. Daí que olhar apenas para o risco de desfecho fatal ou doença grave da C19, como se fosse todo igual para toda a população, e como se não houvessem outras doenças ou riscos, é um erro, uma estupidez; não é racional.

Por isso mesmo, embora seja favorável à vacinação contra a C19 dos grupos sensíveis (e deveria existir uma campanha de informação que incluísse a listagem das comorbilidades mais graves e o risco em função da idade), consdero que a vacinação massiva de adolescentes (e até de jovens adultos) constitui um erro crasso: é a troca de um risco praticamente nulo (para quem é saudável) por uma incerteza, desconhecida. É trocar a redução de um risco já de si baixo por uma “obrigação” de jogar a roleta russa, sem se saber se a prazo a pistola surge sem gatilho (ou seja, afinal, não há problema) ou surge com o carregador cheio.

Os nossos “peritos” e “influencers sanitários” têm promovido, nesta matéria, uma inaceitável desinformação sobre o risco nos adolescentes e jovens, apenas para lançar o pânico e para assim aumentar as taxas de vacinação. E das duas, uma: ou não sabem do que andam a falar; ou se sabem, ainda é pior.

Com efeito – e agora vou falar do que sei, e garanto que sei – até aos 20 anos (e procurarei analisar, em breve, com mais detalhe, a faixa dos 20-30 anos), não se observam nos registos hospitalares da C19 até meados de Maio de 2021 situações de internamento grave (incluindo UCI) de pessoas sem comorbilidades muito relevantes.

Aliás, a listagem dessas comorbilidades graves (e o risco subjacente, que se mostra possível de calcular) podem e devem servir para identificar os adolescentes e jovens adultos que as possuam, para que sejam vacinados. Vacinar tudo a eito é que é estúpido e um desperdício de verbas utéis para outras áreas da Saúde.

Na verdade, o mito de a C19 poder afectar qualquer adolescente ou jovem adulto cairía facilmente se o Ministério da Saúde “jogasse” limpo. Mas nunca jogou. Por exemplo, na morte das duas crianças com menos de 1 ano, o Ministério da Saúde nunca disse a verdade. Nunca disse que uma dessas crianças morreu ao fim de 2 dias de vida não por C19 (dizem que teve um teste positivo) mas porque nasceu prematuro e com uma hemorragia intraventricular de grau 4; e que a outra morreu ao fim de 19 dias de vida porque nasceu com um defeito grave no septo ventricular e, além disso, terá apanhado C19 no hospital.

Ou seja, na verdade, em Portugal nunca morreu qualquer criança nem qualquer menor de idade directamente por causa da C19. Ou seja, nunca morreu ninguém dos 12 aos 17 anos – aquela faixa etária que António Costa quer ver a todos vacinados até Setembro.Mesmo no caso dos óbitos nos adolescentes (duas pessoas com 19 anos, segundo a DGS, embora na base de dados que consultei apenas surja uma) e nos jovens adultos, não existem óbitos de pessoas sem comorbilidades graves prévias, sendo que, por regra, os poucos desfechos fatais tiveram a si associados cancros, obesidade, diabetes ou doenças renais. Em alguns casos, claramente, a C19 foi apanhada em meio hospitalar ou a causa do internamento directo não foi a C19.

Enfim, tudo isto para vos dizer que não há risco zero, nunca haverá, mas a opção pela vacinação, ainda mais numa que tem subjacente muita incerteza quanto à sua segurança a médio e longo prazos (e ainda face às suas características que impede uma imunidade de grupo, dando somente proteção individual em termos de redução de risco de doença grave), deve ser uma opção ponderada, estritamente médica e não política, nunca obrigatória nem imposta por chantagem, sobretudo para os grupos de menor risco. E o Estado, em pleno século XXI, não pode nem deve imiscuir-se em decisões que, embora até possam aparentar interesse colectivo, mexem com aspectos demasiado pessoais. Embora talvez gostasse, o Estado, e muito menos um Governo democrático, não é dono das pessoas, e colocar em risco (mesmo que remoto) a saúde individual dos cidadãos não se encontra nos seus atributos.

Aceitar isso é recuar séculos na civlização; é dizer adeus à liberdade. É dizer adeus a uma vida plena, mesmo se com risco.

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